terça-feira, 31 de maio de 2011

José Facury fala sobre Hayan Rúbia.

Um depoimento de José Facury, onde tudo parace se encaixar.

Uma das poucas pessoas que conheceu Hayan Rubia pessoalmente, José Facury, um importante cenógrafo e diretor de teatro do Rio de Janeiro, explica que não levava muita fé no talento dela, mas que, por ter o hábito de prestigiar as pessoas que freqüentaram suas aulas e laboratório nos anos 80 ele decidiu ver algumas performances, ler poemas conhecer um pouco da trajetória da artista. “Eu não dava muita importância para o trabalho dela na época, afinal de contas eram tantas pessoas e a gente tinha um pique de produção constante, as relações não eram tão pessoais a não ser, claro, com a galera grávida, sabe como é ...  as crianças estavam nascendo naquela época, por isso o nome do grupo “Creche na Coxia”! Declarou.
No entanto ele afirma que o estrelato era inevitável na vida de Hayan Rúbia, havia algo de trágico e profundo em suas performances. “Na verdade ela estava partindo para um linguagem que, constatou-se mais tarde, ia mais para o campo da poesia experimental, da linguagem conceitual que misturava um pouco de tudo. Em síntese, Hayan Rúbia era uma espécie de discípula de Laurie Anderson e tinha um “Q” meio Grace Jones”. Durante pausa para um cafesinho, enquanto gravava cenas da novela Cidade Jardim (José Facury é também ator) ele acabou abrindo o jogo. “Eu tenho a impressão que as características físicas dela foram mudando e ela se tornou  um ser meio andrógino, mas não quero fazer afirmações, estou apenas especulando”. Depois, com um leve sentimento de culpa confessou:  “Eu fiquei sabendo da morte dela por volta de 2002, só então me dei conta de que haviam se passado 6 anos e ninguém mais comentava do paradeiro dela. Foi uma triste perda”.
Guilherme Guaral, o diretor da novela Cidade Jardim, a primeira novela feita no interior do estado do Rio de Janeiro chama Facury, meio apressado, interrompendo nossa entrevista. O próprio Guaral declara ter algo a dizer sobre "ela" mas no momento precisa liberar o set.

Veja depoimento gravado


Para conhecer mais sobre José Facuri entre no site: http://www.josefacury.com.br/

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cairo Trindade Nega que um de seus principais poemas tenha sido dedicado a Hayan Rúbia.


Pedimos desculpas públicas ao poeta Cairo Trindade, um dos gingantes da poesia carioca e que negou veementemente qualquer relação com Hayan Rúbia: “Desde que vocês começaram a pesquisar a vida desta mulher, meu telefone não parou de tocar... gente, eu tenho uma vida e gostaria de vivê-la em paz na intimidade do meu lar e da minha família”! Disse ele à nossa produção.
O protesto do poeta Cairo Trindade é justificado por razões de um deslize cometido pelo Sr. Flavio Mutambo Jr. Que, no afã de conseguir novas informações sobre a nossa biografada começou a desconfiar de que o poema
“Ultimo Poema” teria sido um desabafo do poeta quando conheceu Hayan Rúbia, no final da década de 70.
“Naquela época tomávamos e transávamos todas mas nossa sexualidade era revolucionária, a transgressão foi o nosso manifesto" Disse o poeta e acrescentou; "Não éramos moleques hedonistas querendo aparecer, tínhamos uma proposta" afirmou categoricamente e completou; "Eu nunca tive qualquer relação com esta moça, se tivesse tido lembraria com certeza”!
No entanto, captamos um tom de Ironia na voz do poeta, seria verdadeira a sua declaração? Existe relação entre ele e Hayan Rúbia?
Infelizmente não tivemos qualquer confirmação do fato, mas apresentamos nossos respeitos a este mestre da poesia e publicamos aqui o poema que gerou toda a polêmica.

Último Poema

(Cairo Trindade)



Esta noite eu tomaria todas as drogas do mundo,
beberia todos os oceanos
e transaria homens e mulheres
até morrer, dilacerado de dor.

Esta noite eu faria qualquer coisa,
por mais louca e absurda que fosse,
pra não sentir este vazio broxante
e esta puta angústia, velha e avassaladora.

Eu me converteria e cometeria todos os vícios,
sobretudo os que aprendi no hospício,
e mergulharia fundo na depravação,
igual a que praticávamos na prisão.

Depois, poderia morrer, sem pressa nem tristeza,
porque experimentei o inferno e o paraíso
e me redimo em ter feito com o corpo
os mais belos poemas que não ousei compor.

Por fim, me entregaria a deus e ao diabo,
perplexo como o menino que fez arte
e jamais conseguiu ser um artista
ou o artista que esqueceu de ser menino

e de repente descobriu que é tarde.

***

Em 2010 quando fizemos uma homenagem à poeta no Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, Cairo Trindade compareceu, foi simpático e solidário à Memória da poeta e concordou em dizer um poema. O poema pode ser conferido no primeiro filme sobre Hayan Rúbia já feito no mundo. 

Veja o filme "VENTILADOR"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Hayan Rúbia na Nicarágua, teria participado da revolução Sandinista?

Ainda em 1982, Hayan Rúbia apareceu na cidade de Manágua, capital da Nicarágua: “Vi corpos espalhados pelas ruas de Manágua, esses contras são muito cruéis”, esta declaração circulou num jornal alternativo brasileiro, da mesma época. Segundo o editor do jornal, ela teria dito isto numa carta enviada a uma amiga argentina residente no Rio de Janeiro e que teria mostrado a carta para o tal editor.
O poeta Flavio Dario Pettinichi nos enviou um texto escrito com letra de mão, que, segundo ele, acompanhava a carta que Rúbia enviou para a amiga argentina. Procurado pela produção do filme, Flavio disse que arrebatou o poema numa casa de leilões, em Buenos Aires. Cedeu uma cópia do texto mas recusou-se a dar declarações.

A produção do Projeto Cinema Possível, agradece a cessão deste importante documento feito pelo poeta Flavio Pettinichi. Estamos fazendo nossos melhores esforços, no sentido de apresentar para o público um pouco mais sobre a vida desta grande artista.
Segue abaixo o texto:
...

Recordarme que del vazio crie um espacio em el qual , solo ,los mistérios del
alma tienen La llave del destino.Entonces, veo sin perplexidad , que em algun cajon Del escritório , uma foto sinpaisajes, perdió el color de La agonia.Flores secas,y um livro sin La última página, son hoy, esta herida que se cerrosin escárnios ni Dolores.Recordarme que, de estas calles frias , solo recojí algunos pájaros muertos ycartas olvidadas de mandar.Ya no siento el espanto de La risa y SUS desígnios paganos , quando llueven lossiléncios .Hay ahora um exílio de petalos arrancados com ravia , de uma flor que no pariófragancias,y sin embargo , Del outro lado de La puerta uma añoranza me esperaentre laberintos y espejos rotos..ahora , em este momento, el puntero estelarparo y el tiempo ya no me pertenece, ni siquiera esta variable de mi és elresultado de algo.Ahora que algo se perdió y no me encuentro ni se encuentra em si mismo.

(HR)


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Hayan Rúbia, uma peregrinação pela América Latina - 1982

Em 1982, Hayan Rúbia viajou, durante um ano, por diversos países da América Latina, vivendo em albergues, pousadas e camping´s. Foi do Uruguai ao México, mas o grosso de sua produção poética ela escreveu no Chile, talvez por estar embriagada com a energia literária de um país que ganhou dois prêmios Nobel de literatura; em 1945 com Gabriela Mistral e em 1971 com Pablo Neruda.
Os poemas abaixo foram enviados pelo poeta chileno Leo Lobos, que encontrou-os pixados num muro da cidade de Santiago. Leo afirma serem poemas dela e não nos explicou os detalhes, apenas nos enviou carinhosamente e estamos publicando-os aqui.


Gira el haz de luz
para que se vea desde alta mar Pie detrás de pie no hay otra manera de caminar 
                                                           (Hayan Rúbia)
Hermana duda

pasarán los años
cambiarán las modas, 
vendrán otras guerras
y ojalá tú unica voz
unico dios
sigas teniéndome a tiro.



No tengo a quien rezar pidiendo luz
ando a ciegas
en mi jardín de dudas

(Hayan Rúbia)

Yo me quiero desnuda
emergiendo del polen líquida mar en tu lenguaje de raíces subterráneas

Yo me quiero desnuda
libre y ávida

(Hayan Rúbia)

Conheça o poeta chileno Leo Lobos acompanhe a entrevista exclusiva que ele concedeu para o projeto Cinema Possível.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre a Poeta Mineira Hayan Rúbia.

Mariana Jacques, interpreta Hayan Rúbia.
Hayan Rúbia é, na verdade, o pseudônimo de Olyvia Bandeira de Freitas. Ela nasceu no dia 1° de Abril de 1964, dia em que estourou o golpe militar no Brasil e viveu até 1995 ou 96. Mas não se tem certeza.
As circunstâncias de sua morte são bem confusas. Ouve uma denúncia de que ela teria sido assassinada na praça do Papa em BH mas nunca se soube dizer se o corpo encontrado era de fato o dela.
Em 2014 Hayan Rúbia completará 50 anos de nascimento, se fosse viva, ela estaria com 47 anos. Mas pode ser que ela continue viva em algum lugar, escondida, talvez. Não se sabe ao certo.
A razão pela qual o projeto Cinema Possível se interessou por fazer um filme contando a sua história é o fato de ela ser uma importante poeta do circuito alternativo que circulou por diversas cidades do Brasil e América Latina.
Foram inúmeros os poetas que a conheceram e o que todos tem em comum é a incerteza sobre se, de fato, a pessoa que conheceram era realmente a própria, já que ela tinha o hábito de disfarçar seu nome e esconder sua identidade.
A reconstituição sobre a vida de Hayan Rubia é um grande desafio para nós mas, graças a algumas entrevistas marcadas e um pouco de paciência, haveremos de desvendar e até, quem sabe, descobrir seu paradeiro.
Para fazer a reconstituição simulada da vida desta poeta escolhemos a atriz mineira Mariana Jacques que é criadora da cena teatral FLICTS, de Ziraldo. O trabalho de Mariana Jacques circula por vários estados brasileiros e é um autêntico Solo Narrativo, estilo de teatro desenvolvido hoje no Brasil pelo ator, diretor e professor de teatro Júlio Adrião.

SAUDADOLOGIA.
(Hayan Rúbia)

Oi, como vai?
A quanto tempo não te via                

Tenho feito tanta coisa
coisa nova em novo dia.
E você? O que tem feito?
Tanto tempo sem te ver direito

Lembra das tardes ganhas
que a gente achava que perdia?
Lembra do riso franco,
que você achava que mentia?

E ai, tudo bem?
É legal te ver outra vez
Pensar nas marcas marcadas
que outrora a gente se fez
Lembra daquele dia
em que você de nada entendia?
Eu falava sem parar,
de coisas que nem eu sabia.

Agora já meio distante
desse tempo agora passado
Esquecido não, mas sempre lembrado
Percebi... não foi o bastante
Desculpe, meu bem, se sou eu tão inconstante.

OBS: Poema encontrado num caderninho velho de anotações da autora; acredita-se que é da primeira fase da poeta Hayan Rúbia, onde ela demonstrava um certo ar solitário e parecia ter surtos de esquizofrenia. Segundo alguns relatos ela criava personagens invisíveis para depois conversar com eles, construindo uma poesia por vezes amigável e muitas vezes agressiva e questionadora.


TEASER